
O ateliê da ladeira tem a porta aberta e trinta cabeças de boneco no teto, que não são enfeite. Quem pendura e cuida de cada uma é Iara, dona do lugar desde criança, quando o pai largou o pincel. Rafaela entra achando que é loja de lembrança.
“Quanto custa aquele de bigode?”, pergunta Rafaela. “Esse não vendo. Tem nome, tem dono e tem dia de sair”, responde Iara. “Esse é o Vitalino, sai na terça.” Iara recusa o dinheiro e prefere continuar o trabalho.
“E hoje ele faz o quê?” “Hoje tem ensaio na praça, com banda.” Iara desce a cabeça gigante com uma corda velha. A cabeça pesa mais que a mala dela e tem uma cruz de madeira por dentro.